

A “performance” artística que chocou milhares de pessoas ao permitir que uma criança tocasse em um homem nu utilizou o instrumento mais comum para o financiamento cultural dirigido pelo estado: a Lei 8.313/1991, também conhecida como “Lei Rouanet”.
A Lei Rouanet permite que empresas destinem o dinheiro dos pagadores de impostos – aqueles que efetivamente pagaram pelos produtos e serviços – para projetos escolhidos a dedo pelo governo. De acordo com dados do Ministério da Cultura, mais de 14 bilhões de reais dos pagadores de impostos foram destinados aos projetos escolhidos pelo governo desde que a lei foi criada.
No caso do MAM, a Lei Rouanet foi utilizada pelo Banco Itaú e seus sócios para financiar 61,75% (R$ 4 milhões) do orçamento total do museu em 2017, incluindo a 35° Panorama da Arte Brasileira. Com um agravante: uma das sócias do banco, Milú Villela, também é a presidente do MAM.