

O esvaziamento da manifestação surge como um termômetro da percepção da própria base sobre o papel atual das entidades. A prefeitura, ao atender a demandas significativas como a reposição inflacionária e o piso da educação, retirou o combustível principal do protesto.
Observadores políticos e a população em geral há tempos notam que grande parte do movimento sindical se desviou de sua função original de representação e negociação, tornando-se, na prática, um instrumento político-partidário da esquerda e extrema-esquerda. O baixo comparecimento desta sexta-feira sugere que essa percepção, que já era forte entre a população brasileira, parece ter se consolidado também entre os próprios servidores, que demonstram pouco entusiasmo em apoiar pautas que parecem mais alinhadas a agendas ideológicas do que a reivindicações concretas e imediatas da categoria
O protesto, longe de ser um grito de guerra, serviu como um eloquente atestado do isolamento da elite sindical de Curitiba, que parece insistir em uma retórica política que já não mobiliza a base.