Não tenho nada contra o senhor Cícero Lucena. Já trabalhei em sua administração e reconheço sua trajetória pública. Mas afirmar que um jantar com José Dirceu foi “produtivo” é, para mim, um erro grave — uma afronta à inteligência de quem acredita num Brasil mais ético e transparente.
José Dirceu não representa renovação. Ele simboliza um tempo de feridas abertas, de escândalos que abalaram a confiança do povo. Chamar de produtivo um encontro com ele é ignorar o desejo de milhões por uma política limpa, feita de princípios e não de conveniências.
A política exige coragem. Coragem para romper com o ciclo vicioso das alianças que priorizam o poder em detrimento da ética. Coragem para honrar a memória dos que acreditaram — e ainda acreditam — que é possível fazer diferente.
Essa crítica não é pessoal. É um apelo à coerência. Porque cada gesto público tem peso. E há encontros que, por mais elegantes que pareçam, mancham mais do que iluminam.
Tavinho Sá Leitao