

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar o teto de gastos nesta quinta-feira (4), durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (Conselhão), realizada no Palácio do Itamaraty. Segundo ele, o Brasil, sendo a oitava maior economia do mundo, “não tem o direito de ficar dentro dos gastos”.
A fala de Lula se apoia na posição de destaque do país no cenário global. No entanto, dados da Austin Rating, com base em projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), indicam que o Brasil deve encerrar 2025 como a 11ª maior economia do mundo.
O ranking tem mostrado queda constante: o Brasil era a 9ª economia em 2023, caiu para a 10ª posição em 2024 após ser ultrapassado pelo Canadá, e segue em tendência de queda. A desvalorização de 27% do real frente ao dólar foi um dos fatores apontados para essa retração.
Criado em 2016, o teto de gastos foi estabelecido para conter o crescimento das despesas públicas e evitar desequilíbrios fiscais. Lula, desde a campanha eleitoral de 2022, tem defendido o fim da regra. Em seu lugar, o governo instituiu um novo arcabouço fiscal, mais flexível, permitindo crescimento de despesas limitado à arrecadação.
Na reunião, Lula voltou a criticar o uso do termo “gasto” para investimentos em áreas como educação, ciência e tecnologia. “Falar em educação não é falar em gasto”, declarou. O petista comparou os investimentos brasileiros com os dos Estados Unidos e da Alemanha, que destinaram recursos bilionários para despesas militares. “Não seria melhor aprovar € 800 bilhões para acabar com a fome no mundo?”, questionou.