

Quem viveu a Guerra Fria lembra bem: o mundo foi dividido entre Estados Unidos e União Soviética, e as ideologias mudaram moda, identidade e passaporte social. Naquele tempo, eu não tinha noção clara de que era geopolítica nem das consequências reais dessas escolhas. O que havia era um ambiente em que ser de esquerda deveria estar na vanguarda — ser visto como inteligente, moderno, esclarecido.
Para nós, sertanejos vindos de uma região conservadora, a adaptação foi quase obrigatória. Era isso ou ficar à margem. Assim, contrariando valores antigos e sem pleno entendimento do que estava no jogo, mergulhei numa ideologia que eu mal conhecia. Foi assim que me tornei comunista sem nem saber, de fato, o que isso exigia.
O tempo passou. Muitos dos que se diziam perseguidos se tornaram ricos, famosos e influentes. Alguns, bilionários. E o mais irônico: passou a agir exatamente como aquilo que queriam combater, perseguindo e tentando silenciar quem ousa pensar diferente.
Hoje, sou um conservador consciente. E posso afirmar: os problemas aumentaram. As mesmas vozes que ontem pediam liberdade hoje defendem censura. A mesma ideologia que se dizia libertadora virou instrumento de controle — especialmente no ambiente midiático, onde a opinião rende dinheiro e alinhamento garante espaço.
Fica aqui um aviso direto ao leitor: não repita meu erro. Questione, estude, desconfie das unanimidades e das causas “nobres” demais.
O PT, que se vendeu como vítima da opressão, tornou-se um dos maiores propagadores da censura e do autoritarismo discursivo. É a velha máxima da política brasileira: faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.
Tavinho Sá Leitão
Midia Livre