

Quando a política entra em campo, o Brasil perde — dentro e fora dele nao vamos repetir o mesmo erro.
O ano era 1970. O Brasil vivia sob o regime militar de Emílio Garrastazu Médici, enquanto a seleção encantava o mundo na Copa do Mundo FIFA de 1970.
Dentro de campo, Pelé, Tostão e Jairzinho jogavam como gênios. Fora dele, o regime fazia o que regimes fazem: transformava vitória em propaganda.
Nada de novo. O poder sempre tenta se apropriar do que emociona o povo.
O problema veio depois.
Ao denunciar a instrumentalização política, parte da oposição cruzou uma linha perigosa: deixou de criticar o governo para rejeitar o símbolo nacional. A seleção passou a ser vista não como expressão do país, mas como extensão do poder.
É um erro que custa caro até hoje.
Cinco décadas depois, o Brasil repete o mesmo roteiro — agora com novos personagens, mas com a mesma imaturidade política. A seleção virou mais um campo de disputa ideológica. Tudo vira motivo de suspeita: da gestão esportiva às atitudes de jogadores, passando por leituras enviesadas que envolvem nomes como Luiz Inácio Lula da Silva ou Neymar.
Não se trata mais de futebol. Trata-se de projeção política.
E aqui está o ponto central: quando alguém torce contra a própria seleção por razões ideológicas, não está fazendo um ato de consciência — está apenas aprofundando a fragmentação nacional.
A política já dividiu o país o suficiente. Levá-la para dentro de campo é um passo além — e um passo errado.
A seleção brasileira não é governo. Não é partido. Não é ideologia.
Confundir isso não é lucidez crítica. É miopia.
Se nem o futebol escapar, o que sobra como espaço comum?
Tavinho Sá Leitao
Midia Livre