

O brasileiro está sendo esmagado por uma realidade que já não dá mais para disfarçar: gasolina, diesel e gás de cozinha em alta constante, corroendo o orçamento e expondo, mais uma vez, a fragilidade de um país que insiste em penalizar quem produz, trabalha e consome.
A quarta semana consecutiva de aumento nos combustíveis não é apenas um dado econômico — é um sintoma. Sintoma de um modelo que transfere para o cidadão comum o peso das instabilidades externas, enquanto internamente faltam respostas claras, planejamento e, sobretudo, compromisso com a população.
O discurso oficial aponta para crises internacionais, tensões geopolíticas e oscilações do petróleo. Tudo isso é real. Mas também é real que o Brasil não é um país qualquer nesse cenário. É produtor de petróleo, tem capacidade de refino e mercado interno robusto. Ainda assim, o brasileiro paga como se dependesse totalmente do exterior.
E quando o combustível sobe, não é só o motorista que sente. É o caminhoneiro, o agricultor, o pequeno comerciante — e, no fim da cadeia, o consumidor. O frete encarece, os alimentos sobem, o custo de vida dispara. É um efeito dominó que termina sempre no mesmo lugar: no bolso de quem menos pode.
Mais grave ainda é o avanço silencioso do preço do gás de cozinha. Em muitas regiões do Nordeste, o botijão virou artigo de luxo. Cozinhar, algo básico, essencial, começa a ser tratado como privilégio. Isso não é apenas economia — é questão social.
O que falta não é diagnóstico. O problema está escancarado. O que falta é decisão. É coragem para rever políticas, enfrentar distorções e colocar o interesse da população acima de discursos técnicos que pouco aliviam a realidade de quem está na ponta.
O Brasil não pode aceitar como normal viver sob aumentos sucessivos enquanto a renda não acompanha. Não pode naturalizar que abastecer o carro e fazer comida em casa se tornem desafios financeiros.
Porque, no fim, não se trata de mercado.
Trata-se de prioridade.
E hoje, claramente, o povo não está no topo dessa lista.