

O pronunciamento não convenceu. E vamos parar de fingir que convenceu.
A polêmica envolvendo a designer da Nike não é sobre “erro de comunicação”. É sobre algo muito maior: a tentativa constante de distorcer a realidade para caber em narrativa.
Ninguém aqui está atacando liberdade individual. Cada um vive como quiser — simples assim.
Mas desde quando liberdade virou licença pra negar o óbvio?
Existe diferença entre identidade e realidade. E apagar essa linha não é avanço — é confusão.
O mais curioso (ou preocupante) é ver setores que sempre levantaram a bandeira das mulheres agora evitando o debate mais básico: o que é, afinal, uma mulher?
Quando tudo vira relativo, nada mais é protegido.
Nem direitos. Nem espaços. Nem a própria verdade.
E aí vem o discurso pronto, ensaiado, cheio de cuidado… mas vazio de enfrentamento.
Porque no fundo, o problema não é o que foi dito — é o que está sendo evitado.
O debate incomoda? Ótimo.
Significa que ainda existe gente disposta a não engolir tudo calado.
Sociedade madura não é a que cancela quem questiona.
É a que encara a realidade — mesmo quando ela não é conveniente.
O resto é narrativa.
— MÍDIA LIVRE
Tavinho Sá Leitão