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A pior ressaca do Dr. Eilzo Matos

Publicada em 30/03/26 às 17:42h - 64 visualizações

por Tavinho Sá Leitao


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 (Foto: Radio Midia Livre )


Em 1976, saí de São Paulo para ser padrinho do casamento de Freires. O resultado todo mundo já sabe: não fui padrinho e ele ainda questionou o meu presente — dei uma dúzia de copos, enquanto Isnaldo levou uma enceradeira.

Mas o pior mesmo foi com o saudoso Dr.  Eilzo Matos.

Freires convidou Dr. Eilzo para ser padrinho do casamento. Na época, ele era secretário de Segurança e deputado, um homem acostumado às coisas boas da vida. Empolgado com a festa, Freires me chamou para ir ao supermercado CompreBem, na Epitácio Pessoa — praticamente o único da época.

Lá, comprou o que havia de pior, especialmente a bebida: quatro litros de whisky Druris, que era considerado o mais fraco do mercado. O melhor, na época, era o famoso White Horse (que a gente chamava de “cavalo branco”). Eu ainda alertei:

— Freires, não faça isso não. Dr. Eilzo é um homem acostumado a whisky bom!

Mas ele respondeu, confiante:

— Deixe comigo.

Chegado o dia, fomos à igreja e depois à festa, na casa do sogro dele, seu Costinha. Foi lá que veio o “plano”: Freires colocou o whisky Druris dentro de garrafas de White Horse, para enganar os convidados.

A festa começou, os convidados chegaram — entre eles Dr. Eilzo, sua família e o grande Pedro Ventura Nitão, meu querido primenio. Sentaram-se à mesa, e Freires logo tratou de servir o “whisky”.

Foi quando Primenio olhou desconfiado e comentou comigo:

Freires tá pensando que eu sou besta…

Mas Dr. Eilzo, com toda sua elegância e educação, não entrou na conversa, foi bebendo… e acabou secando a garrafa inteira.

Algum tempo depois, ao reencontrar o Pedro Ventura  Nitão, Dr. Eilzo soltou a frase que ficou para a história:

Primenio, eu nunca tive uma ressaca maior do que a do casamento de Freires!

A história correu solta, virou gargalhada no Ponto de Cem Réis e se espalhou pela cidade. E Freires, com aquela risada peculiar, ria como ninguém.

Hoje, lembrando da partida do querido Dr. Eilzo, essa história me vem à cabeça com saudade dos bons tempos.

Dr. Eilzo gostava muito de mim — e eu dele.

Tavinho Azevedo Leitão
Mídia Livre




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