

Não é sobre a carne. Nunca foi.
É sobre o símbolo.
Enquanto milhões de brasileiros fazem malabarismo para colocar o básico na mesa, a imagem que vem do alto do poder é outra: requinte, exclusividade e uma realidade paralela.
A presença de Rosângela da Silva diante de um prato que poucos sequer conhecem não é ilegal — mas é profundamente reveladora.
Reveladora de um distanciamento.
Reveladora de uma bolha.
Reveladora de um Brasil que não é o mesmo de quem enfrenta fila no mercado e escolhe entre carne e gás.
Governos não caem por um prato.
Mas narrativas se constroem por detalhes.
E, às vezes, é justamente no detalhe que o poder mostra quem realmente está à mesa — e quem ficou de fora.