

Editorial:
O episódio em que a primeira-dama Rosângela da Silva afirma a legalidade do consumo de carne de paca pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva levanta uma questão simples — e incômoda: se está tudo dentro da lei, por que não há documentação clara sobre a origem?
A legislação ambiental brasileira não proíbe, em todos os casos, o consumo de animais silvestres — desde que haja procedência legal, como criação autorizada ou manejo regulamentado. O problema não está necessariamente no prato, mas na falta de transparência sobre como ele chegou à mesa.
Em um governo que frequentemente defende fiscalização, regras e responsabilidade ambiental, a ausência de registros concretos abre espaço para dúvidas — e dúvidas, em política, costumam custar caro. Não se trata apenas de um almoço, mas de coerência entre discurso e prática.
Quando o poder público não documenta, a narrativa perde força. E, nesse caso, o silêncio administrativo fala mais alto do que qualquer justificativa.