

Tem preconceito que muda de roupa conforme a moda do tempo. O antissemitismo é desses. Não envelhece — se adapta.
Chamam de opinião, de crítica, de ideologia. Mas, no fundo, é o mesmo velho veneno: ódio contra judeus, seja contra um indivíduo, seja contra um povo inteiro. Um preconceito persistente, daqueles que a humanidade finge superar, mas vive recaindo.
Foi esse ódio que ajudou a pavimentar o caminho do Holocausto — uma das páginas mais sombrias da história humana. Mas é bom deixar claro: ele não nasceu ali. E, infelizmente, também não morreu ali.
Muito antes da Segunda Guerra, judeus já eram perseguidos, expulsos de suas terras, acusados de tudo — de crises econômicas a teorias absurdas. Quando não serviam como bode expiatório, serviam como alvo conveniente. Mudava o cenário, mudava o discurso, mas o alvo continuava o mesmo.
Ora era religioso. Ora era racial. Ora político. O rótulo muda, a intenção permanece.
E o mais curioso — ou trágico — é que esse tipo de ódio costuma crescer justamente em tempos de incerteza. Quando o mundo aperta, muita gente prefere apontar o dedo do que entender a complexidade das coisas.
O antissemitismo não é só um problema do passado. Ele continua aparecendo, às vezes disfarçado, às vezes escancarado. E sempre perigoso.
Porque toda vez que a sociedade normaliza o preconceito contra um grupo, ela ensaia repetir erros que já custaram caro demais.
No fim das contas, a história não cobra silêncio — cobra memória.
E memória, meu amigo, não é para enfeitar discurso. É para evitar tragédia.