

Mais uma vez, o brasileiro assiste ao mesmo roteiro: contratos públicos, valores elevados e explicações técnicas que tentam transformar tudo em normalidade.
A Prefeitura de Maricá firmou contratos milionários com o escritório da advogada Carol Proner, esposa de Chico Buarque. Está dentro da lei? Pode até estar.
Mas desde quando legalidade virou sinônimo de legitimidade?
O povo brasileiro não vive de parecer jurídico. Vive de salário apertado, de imposto alto e de serviços públicos que muitas vezes não funcionam. E é exatamente por isso que cada centavo gasto precisa ser mais do que legal — precisa ser justificável, transparente e moralmente aceitável.
O que revolta não é apenas o valor. É o padrão.
Sempre existem justificativas técnicas.
Sempre existem contratos “regulares”.
Sempre existe alguém dizendo que está tudo certo.
E, curiosamente, quase sempre são os mesmos círculos, os mesmos ambientes, as mesmas conexões.
Não se trata de apontar culpa sem prova. Trata-se de recusar a passividade diante de um modelo que se repete há décadas. Um modelo onde o cidadão paga a conta — e ainda precisa aceitar explicações prontas como se fossem suficientes.
A pergunta não é se pode.
A pergunta é:
isso aconteceria da mesma forma se não houvesse influência, nome ou
proximidade?
Se a resposta for incômoda, então o problema existe.
E o Brasil já está cansado de fingir que não vê.