

Quando se imaginava que o país havia aprendido alguma coisa com os escândalos fiscais do passado, surge mais uma denúncia envolvendo bilhões e suspeitas de manobras nas contas públicas. O governo Lula agora é acusado de promover uma nova “pedalada fiscal”, justamente a prática que virou símbolo de irresponsabilidade econômica e ajudou a derrubar uma presidente da República anos atrás.
O mais impressionante não é apenas a acusação em si. É o silêncio seletivo de setores da política e da imprensa que antes tratavam o assunto como crime gravíssimo contra a nação. Quando era conveniente, pedalada fiscal era ataque à democracia, destruição da economia e motivo de indignação nacional. Agora, muitos tentam suavizar, relativizar ou simplesmente fingir que nada está acontecendo.
Enquanto Brasília manipula números, quem paga a conta continua sendo o povo brasileiro. O cidadão sente no supermercado, nos juros, nos impostos e na dificuldade de sobreviver em um país onde sobra discurso e falta responsabilidade. O governo promete equilíbrio, mas entrega dúvidas. Promete transparência, mas acumula desconfiança.
A verdade é simples: não existe pedalada “do bem”. Não existe maquiagem fiscal aceitável dependendo de quem esteja no poder. Se a prática foi condenada no passado, deve ser investigada agora com o mesmo rigor. Democracia de verdade exige coerência — não conveniência política.
O brasileiro está cansado de assistir governos brincando com dinheiro público enquanto a população luta para fechar as contas dentro de casa. O país precisa de seriedade, responsabilidade fiscal e respeito com quem trabalha e paga impostos.