Todo dia é a mesma coisa: Moraes dá 24 horas para explicar isso, 24 horas para esclarecer aquilo, 24 horas para Bolsonaro, 24 horas para o Congresso, 24 horas para governadores, parlamentares e até cidadãos comuns.
A sensação que fica para muita gente é simples: afinal, quem manda no Brasil? O povo através do voto ou um pequeno grupo que decide tudo no canetaço?
Quando decisões políticas começam a sair mais dos tribunais do que do debate público, cresce o sentimento de que a democracia vai virando apenas uma fachada institucional.
O eleitor vota, escolhe deputados, senadores e presidente, mas frequentemente vê suas escolhas sendo atropeladas por decisões judiciais tomadas sem um único voto nas urnas.
O mais preocupante é que qualquer crítica já vira motivo de investigação, censura ou ameaça de punição. E numa democracia verdadeira, questionar autoridades deveria ser um direito básico, não um risco.
O Brasil parece viver uma inversão perigosa: instituições eleitas cada vez mais enfraquecidas e o poder concentrado nas mãos de quem não passa pelo crivo popular.
Se tudo depende da autorização do Judiciário, então o povo começa naturalmente a se perguntar:
pra que servem as eleições?
Tavinho Sá Leitão – Mídia Livre