

Em época de eleição, o brasileiro já aprendeu a desconfiar de certas “conversões repentinas”. Tem político que muda de discurso, muda de opinião e até muda de fé conforme o vento das pesquisas.
Agora vemos Lula tentando se apresentar como um católico fervoroso, cercado de símbolos religiosos, discursos emocionados e referências à fé popular. O problema não é ter religião — isso é direito de qualquer cidadão. O problema é quando a espiritualidade parece surgir apenas como ferramenta de marketing político.
O povo brasileiro é majoritariamente cristão e valoriza sua fé de forma sincera. Por isso, muitos enxergam com desconfiança quando líderes políticos utilizam religião em momentos estratégicos, principalmente depois de anos defendendo alianças, pautas e discursos que frequentemente desagradaram setores religiosos do país.
Na política moderna, infelizmente, vale quase tudo para conquistar votos: posar de humilde, fingir proximidade com o povo e até vestir a roupa da fé quando convém eleitoralmente. Mas o eleitor está mais atento do que antes.
Fé verdadeira não aparece apenas em campanha, nem se resume a fotografia, discurso preparado ou gesto ensaiado diante das câmeras. A coerência entre discurso e prática continua sendo o principal julgamento feito pela população.
No fim, cabe ao brasileiro decidir se está vendo uma demonstração legítima de fé ou apenas mais uma estratégia eleitoral cuidadosamente calculada.
Tavinho Sá Leitão | Mídia Livre