

Mais uma vez, Lula parece errar a pontaria. Ao ler as notícias desta semana, deparei-me com manchetes informando que o presidente brasileiro e a presidente do México, Claudia Sheinbaum, voltaram a defender o fim do embargo americano contra Cuba. De fato, ambos reafirmaram essa posição em conversa oficial realizada nesta semana.
Mas é preciso analisar os fatos com serenidade. Durante décadas, os Estados Unidos tiveram presidentes de diferentes orientações políticas, incluindo governos democratas como os de Barack Obama e Joe Biden. Lula governou o Brasil em períodos nos quais havia interlocução direta com administrações americanas menos alinhadas ao conservadorismo, e ainda assim a questão do embargo nunca ocupou posição central em sua política externa.
Por isso, fica a impressão de que essa retomada do discurso ocorre muito mais no campo simbólico e ideológico do que como uma iniciativa concreta capaz de produzir resultados efetivos.
Além disso, quando se fala em ajudar Cuba, é preciso lembrar que a ilha recebeu durante décadas forte apoio econômico da antiga União Soviética e, posteriormente, contou com apoio de aliados estratégicos como a Rússia e a Venezuela. Se a preocupação é genuinamente humanitária, talvez fosse mais produtivo cobrar desses parceiros históricos um compromisso maior com a recuperação econômica cubana.
O que Cuba precisa não é apenas de discursos internacionais, mas de soluções concretas que permitam ao povo cubano superar suas dificuldades econômicas e sociais.
Tavinho Sá Leitão – Mídia Livre