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VAMOS PRESERVAR NEGO LULA

Publicada em 01/07/26 às 00:58h - 55 visualizações

por Radio Midia Livre


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 (Foto: Radio Midia Livre )












Há pessoas que são patrimônio de uma cidade. Não porque ocupam cargos públicos, nem porque possuem riquezas, mas porque dedicam a vida inteira a construir a identidade de um povo.

Em Piancó, um desses patrimônios tem nome e sobrenome, embora quase ninguém o chame assim. Para todos nós, ele sempre foi simplesmente Nego Lula.

Fomos amigos de infância. Crescemos correndo pelas ruas da velha Piancó, especialmente pela inesquecível Rua Velha, onde as amizades eram sinceras e a vida parecia caminhar no ritmo das conversas nas calçadas. Ainda hoje, quando nos encontramos, basta uma lembrança daqueles tempos para darmos boas risadas.

Os anos passaram para todos nós. O tempo não perdoa ninguém. Mas algumas pessoas conseguem permanecer jovens naquilo que realmente importa: no amor pelo que fazem.

É assim com Nego Lula.

À frente da tradicional Filarmônica Santo Antônio, ele continua cumprindo uma missão que poucos conseguem compreender em toda a sua dimensão. Não ensina apenas música. Ensina disciplina, convivência, respeito, dedicação e amor à cultura. Forma músicos, mas, acima de tudo, ajuda a formar cidadãos.

Confesso que, ao vê-lo recentemente, senti uma mistura de alegria e preocupação. Alegria por encontrá-lo ainda firme na missão que escolheu para a vida. Preocupação porque percebi que alguém que fez tanto por Piancó parece, em alguns momentos, caminhar sem o reconhecimento e o apoio que merece.

Nossa cidade não pode permitir isso.

Preservar a cultura não significa apenas restaurar prédios antigos ou organizar festas tradicionais. Preservar a cultura é cuidar das pessoas que fizeram e ainda fazem essa história acontecer.

Enquanto Nego Lula continua dedicando seu talento às novas gerações, cabe à sociedade e às autoridades reconhecerem esse valor. Não por caridade, mas por gratidão. Não como favor, mas como dever.

Existe um velho hábito de homenagearmos as pessoas apenas depois que elas partem. Surgem nomes de ruas, placas, discursos e solenidades. Tudo muito bonito, mas tarde demais para quem dedicou uma vida inteira ao bem da comunidade.

Lembro então dos versos do grande Nelson Cavaquinho: "Se quiserem me homenagear, homenageiem-me agora."

Essa frase resume exatamente o sentimento deste texto.

Que Piancó saiba reconhecer seus verdadeiros patrimônios humanos enquanto eles ainda caminham entre nós.

Que saibamos valorizar quem dedicou décadas à música, à educação e à cultura.

Que saibamos cuidar de Nego Lula enquanto ainda podemos agradecer olhando em seus olhos.

Porque a história não vive apenas nos livros.

Ela vive nas pessoas.

E Nego Lula é, sem dúvida, uma das mais belas páginas da história cultural de Piancó.

Tavinho Sá Leitão
Mídia Livre




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