

Uma alteração indevida na filiação partidária de Flávio Bolsonaro quase provocou um grave problema para o registro de sua candidatura à Presidência da República. No sistema da Justiça Eleitoral, o senador apareceu filiado ao Partido Missão e desligado do PL, justamente quando sua equipe se preparava para registrar a candidatura.
Flávio reagiu afirmando que “o sistema vai tentar de tudo” para impedi-lo de disputar a eleição. Diante das circunstâncias, sua indignação é compreensível. Não estamos falando de um simples erro de digitação, mas de uma alteração capaz de comprometer uma candidatura presidencial e interferir diretamente no processo eleitoral.
O Tribunal Superior Eleitoral informou que não houve invasão de seu sistema, mas confirmou que a ferramenta foi utilizada indevidamente por alguém que possuía credenciais do Partido Missão. Posteriormente, a filiação de Flávio ao PL foi restabelecida, e o caso deverá ser investigado pela Polícia Federal.
O Partido Missão também afirma ter sido vítima da fraude e diz que tomou providências para cancelar o registro irregular. Portanto, será necessário aguardar a investigação para saber quem praticou o ato, com qual objetivo e se outras pessoas participaram da manobra.
Mas algumas perguntas precisam ser respondidas: quem utilizou essas credenciais? Como uma filiação dessa importância pôde ser realizada sem uma verificação mais rigorosa? Por que uma alteração com potencial para retirar um candidato da disputa ocorreu justamente às vésperas do encerramento do prazo eleitoral?
Uma democracia séria não pode tratar esse episódio como uma simples “molecagem”. Se alguém tentou impedir fraudulentamente a candidatura de Flávio Bolsonaro, estamos diante de uma afronta ao direito dos eleitores de escolher livremente seus representantes.
A investigação precisa ser rápida, transparente e rigorosa. Os responsáveis devem ser identificados e punidos, independentemente de partido ou posição ideológica. O Brasil já convive com desconfiança demais em suas instituições. Ocultar informações ou minimizar a gravidade do ocorrido somente aumentaria essa insegurança.
Flávio conseguiu restabelecer sua filiação, mas o caso não pode terminar aí. O problema administrativo foi corrigido; falta descobrir quem o provocou.
O sistema democrático pertence ao povo, não aos partidos, aos tribunais ou aos ocupantes temporários do poder. Ninguém tem o direito de escolher, por meio de fraude, quem poderá ou não concorrer.
Tavinho Sá Leitão — Mídia Livre