

A Nicarágua aprovou uma lei que impede a oposição de disputar eleições. Na prática, o regime decidiu escolher não apenas quem governa, mas também quem pode enfrentá-lo nas urnas.
É esse modelo que setores da esquerda raiz brasileira parecem admirar: instituições submetidas ao poder, adversários tratados como inimigos e eleições sem verdadeira liberdade de escolha.
Chamam isso de defesa da democracia, mas democracia sem oposição é apenas uma ditadura disfarçada. Quando somente os aliados podem concorrer, o voto deixa de representar a vontade popular e passa a servir de decoração para o autoritarismo.
O Brasil precisa permanecer atento. Nenhuma ideologia, de direita ou de esquerda, pode receber autorização para calar adversários e controlar as eleições. “Nicaraguar” o Brasil seria destruir a democracia em nome de uma falsa proteção da própria democracia.
Tavinho Sá Leitão — Mídia Livre