

Enquanto o Brasil se afunda na lama da insegurança jurídica, da desconfiança e do enfraquecimento das instituições, aqueles que deveriam oferecer equilíbrio parecem gargalhar diante da indignação popular.
Não há democracia verdadeira quando o cidadão sente medo de falar, quando decisões importantes são tomadas sem transparência e quando autoridades passam a impressão de que não precisam prestar contas à sociedade. O poder público existe para servir ao povo, não para intimidá-lo.
O que muitos brasileiros chamam de “ditadura de toga” representa justamente esse sentimento de impotência diante de um poder percebido como distante, concentrado e sem limites claros. Não se trata de atacar a Justiça, mas de exigir que ela também respeite a Constituição, o contraditório e as liberdades individuais.
Enquanto milhões enfrentam desemprego, impostos elevados, violência e dificuldades para sustentar suas famílias, parte da elite política e institucional comporta-se como se estivesse acima da realidade nacional. Ri, comemora e debocha, enquanto o povo paga a conta.
O Brasil precisa recuperar o equilíbrio entre os Poderes. Nenhuma autoridade pode ser considerada intocável. Quem exerce uma função pública deve aceitar fiscalização, críticas e responsabilização.
A gargalhada dos poderosos pode até ecoar hoje, mas nenhuma estrutura de poder é eterna. A história sempre termina cobrando daqueles que confundiram autoridade com arrogância e Justiça com perseguição.
Tavinho Sá Leitão — Mídia Livre